Cycle of Conferences on the Council of Trent (Day 4)

IV Mesa do Ciclo de Debates da Mostra Memórias do Concílio de Trento

A última mesa do Ciclo de debates sobre a influência do Concílio de Trento na Cultura Brasileira foi dedicada à Letras e Subalternidades e aconteceu na Igreja de Santa Teresa, no Museu de Arte Sacra, a tarde do dia 13 de março de 2013. Compuseram a Mesa os professores Maurício Matos (IHAC), Nancy Vieira (Instituto de Letras) e Sandro Ornellas (Instituto de Letras), todos da UFBA, com mediação do artista Flavio Marzadro.

O professores palestrantes com o artista Flavio Marzadro
O professores palestrantes com o artista Flavio Marzadro

A Mesa conseguiu apresentar um novo olhar sobre a produção da nossa literatura como uma realização pós-Concílio de Trento.

Com esta Mesa, o Ciclo de Debates da Mostra Memórias do Concílio de Trento se conclui  com louvor, tendo apresentado ao público baiano quatro ricas mesas de debate que, juntas, promoveram excelentes e férteis discussões sobre a influência do concílio de Trento na Cultura Brasileira.
O artista e sociólogo Flavio Marzadro agradece a todos os participantes que muito generosamente aceitaram o seu convite e brindaram o público com usas inquietações e observações.

 

O professor Sandro Ornellas nos lembrou do Concilio de Trento como um dos eventos que marcam a decadência da península ibérica, que muito influenciou a literatura portuguesa e brasileira. Ele trouxe para a atenta platéia interessantes informações, além de versos, sobre Francisco de Sá de Miranda, que introduziu em Portugal as chamadas formas italianas de sonetos, o que, segundo Rodrigo Lapa, representaria um certo humanismo estrangulado, mostrando a teatralidade nas relações sociais, que viria a influencia as relações seguintes à sua. Como bem explicou o prof. Ornellas, o humanismo foi estrangulado porque foi subitamente confrontado com a contrareforma que acaba de começar. Mas foi Luis de Camões a viver o Concílio de Trento enquanto fazia Os Lusíadas, de alguma forma resultado de um império evangelizador que se impunha pelo mundo afora, carregado de ambigüidades. A mentalidade instalada no Concílio de Trento ficou bem evidente em algumas passagens nas descrições dos planetas, como no exemplo da terra que, para Camões, estava no centro do Universo, leitura referendada pelo Concílio. Mas havia também o medo e uma crítica ao medo, já preanunciando o barroco que estava por vir.

A contribuição de Nancy Vieira, professora de literatura brasileira, foi estruturada em três diferentes e complementares partes, as quais ela chamou de “Palizas históricas”, “A Bahia de Todos os Santos no meio de um labirinto barroco” e “Barroco como eu – a cultura Neobarroca e a Sensibilidade baiana”. O conjunto foi permeado por um rico conjunto de citações de autores pré-barrocos e barrocos, além de generosas doses de problematizações e inquietações lançadas ao público, precedidas pela epígrafe “Todas as cousas do mundo é mister contempladas ao inverso a fim de poder observar a sua verdadeira face”, de Baltazar Cassian. Uma síntese poética do sentimento de precariedade da época estudada, um dos motes das reflexões trazidas pela profa. Nancy, pode ser encontrada nos dois versos por ela citados, do soneto Mundo incerto de de autoria do peta português Don Francisco Manuel de Melo (1611-1666):

“Eis aqui mil caminhos. Por ventura
Qual destes leva a gente ao povoado?
Todos vão sós, só este vai trilhando;
Mas se, por ser trilhado, me assegura?
 E conclui:
Que farei logo, incerto deste mundo incerto?
Buscar nos céus o verdadeiro norte,
pois na terra não há caminho certo.
Em seguida, o professor Mauricio Matos, líder do grupo de pesquisa Cultura e Subalternidades, apresentou a sua contribuição, a qual foi igualmente apreciada elo público. O prof. profundamente interessado na crítica da Cultura Brasileira, vem pesquisando sobre o contexto de colonização portuguesa no Brasil, particularmente com a retomada da leitura dos trabalhos de Gilberto Freire. Seu interesse e desconstruir os aparatos metafísicos que de alguma forma organizaram a cultura colonial do Brasil, a partir do lugar do sujeito subalterno, seu lugar de exclusão na sociedade. para isto, ele passou um trecho do filme A Missão (1986), um drama britânico que tem como pano de fundo o contexto de colonização e evangelização jesuíta na floresta brasileira. Sem se preder a uma leitura linear do trecho apresentado, o prof. Maurício discorreu sobre o conceito de sulbarternidade e do sujeito subarterno, como expressão da crítica ao sujeito dominante. E discorreu com profundidade sobre a relação de pertinência e coerência entre s posições de poder político e religiosos para construção da subaternidade no Brasil, em nossa cultura, apresentando ao público inquietações importantes, tais como: “quais as estruturas de valores e/ou visões de mundo que se alteraram desde a construção histórica da colonialidade até os dias de hoje?” e “Quais os possíveis sentidos de tais movimentos ao longo das construções de nossas relações?”. E conclui afirmando que, do ponto de vista político, “o desmonte do discurso metafísico no Brasil está na ordem do dia, sobretudo se levado em consideração a sua aproximação com o a política, os partidos políticos, as perseguições sobre as minorias, as estratégias de apropriação dos meios de comunicação destas mesmas instâncias sociais como forma de disserminar sistemas de fronteiras justificados por elementos metafísicos herdados da colonização”.
Um agradecimento também muito especial é merecido pelo Museu de Arte Sacra. O artista Flavio Marzadro deu fechemento aos trabalho da Mesa agradecendo a participação dos palestrantes e do público, a confiança do Museu de Arte Sacra, na figura do seu diretor Francisco Portugal, e representada por Edjane Rodrigues, aos seus colaboradores diretos e aos apoiadores, em especial, à Diocese de Trento, à Província Autônoma de Trento, à Prefeitura de Trento, à Associação Trentinos no Mundo e ao Grupo de pesquisa Visões Urbanas.

 

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