CYCLE OF CONFERENCES ON THE COUNCIL OF TRENT (DAY 1)

A primeira mesa do ciclo de debates A influência do Concílio de Trento na Cultura Brasileira aconteceu nesta última quarta-feira, na Igreja de Santa Teresa do Museu de Arte Sacra da UFBA (2 de Julho). A mesa foi composta pelos palestrantes Pe. Gilson Magno (Prof. Dr. do Instituto de Letras da UFBA) e pelo pesquisador Vinícius Lins (Mestrado em Letras da UFBA), além da mediação do artista Flavio Marzadro.

O artista Flavio Marzadro deu abertura aos trabalho da Mesa agradecendo a participação dos palestrantes e do público, a confiança do Museu de Arte Sacra, na figura do seu diretor Francisco Portugal, e representada por Edjane Rodrigues, que introduziu este evento, aos seus colaboradores diretos e aos apoiadores, em especial, à Diocese de Trento, à Província Autônoma de Trento, à Prefeitura de Trento, à Associação Trentinos no Mundo e ao Grupo de pesquisa Visões Urbanas.

Em seguida, os palestrantes apresentaram suas contribuições sobre a influência do Concílio de Trento na história e na teologia. A discussão resultante foi muito interessante, pois permitiu aos presentes elucidar dúvidas sobre o impacto deste macro-evento histórico sobre a organização da visa eclesiástica e católica como um todo. O pesquisador Vinícius Lins nos lembrou que este evento que ficou conhecido como Contra-Reforma para o mundo ocidental, por observá-lo como resposta ao movimento reformista de Lutero, da Igreja Protestante, é assumido pelo Vaticano somente como Reforma Católica. Para o Pe. Gilson Magno, o Concílio de Trento, ou a Reforma Católica, como prefere chamar, foi um movimento que teria acontecido de qualquer maneira, mesmo que Lutero não estivesse presente na histórica, pois a própria Igreja já clamava internamente por reforma há muito tempo. Esta pressão era sentida nas cartas eclesiásticas e nos encontros menores dos membros da Igreja.

Ambos os palestrantes ressaltaram que mudanças profundas foram impostas pelo Concílio de Trento, sobretudo no que concerne a formação da cura diocesiana, que ficou ainda mais forte e ainda mais concentrada em Roma, reforçando ainda mais a centralidade papal. Dentre as mudanças, foi ainda destacada a obrigatoriedade da vinculação dos bispos e vigários de habitarem nos territórios das suas dioceses, igrejas e paróquias, reforçando a relação entre a igreja e a sociedade, que então vinha sofrendo muito desgaste.

Um outro ponto que suscitou muito debate foi a lembrança de que os preceitos do Concílio de Trento não chegam a todo o mundo cristão em um único movimento e de uma mesma vez. Pelo contrário, os preceitos foram chegando nas décadas e séculos seguintes, sobretudo na América Latinha, devendo-se ainda levar em consideração que esta última aconteceu no âmbito do movimento de colonização da América Latina.

Flavio Marzadro, o medidor, recordou por fim que o movimento de evangelização e catequização também recebeu novas diretrizes desenhadas pelo Concílio de Trento, reforçando o papel das imagens em tais processos, o que viria também a recuperar a forte tradição narrativa do nosso barroco.

Após o debate, o artista ofereceu aos presentes uma visita guiada à sua Mostra.

(Texto: Zana Boullosa)

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